E amanhã?

Deixa-me mostrar-te quem eu sou, quem eu posso ser contigo. Deixa eu fazer você explodir de emoções, de sensações, fazer você ver a lua como se fosse uma aurora boreal. Não dizia isso por emoção, foi sempre de coração sincero e aberto, eu queria mostrar-te o melhor do mundo, o melhor das pessoas, principalmente o melhor de mim. Queria provar-te que as flores são lindas e que têm vida própria, mostrar-te que o mel é doce e provem de pequenos insectos, de trabalho em equipe e de muito sacrifício. Te queria só para mim, e realmente isso não é egoísmo, é amor, querer-te só para mim era o meu maior desejo e o pior erro. Eu era insano para ti, quando eu dizia que te queria só para mim, queria dizer que não te queria partilhada, queria toda a tua atenção exclusiva , todas as tuas forças, o teu sorriso, o teu corpo, os teus gritos/surtos, as tuas dores e temores.
Queria que fosses o meu cobertor no frio, e o frescor nos dias quentes. Não era obsessão, mas eu não me cansava de ti, não me fartava de ter-te em qualquer dos teus estados. Eu te desejava cada vez mais, te queria cada segundo mais. Quando passasses, eu sentia o teu calor, o teu cheiro e o meu corpo recebia de uma maneira que parecias o emissor perfeito, a comunicação entre os nossos corpos era a prova de que um para o outro fomos feitos, sem desvios, sem interferências. Era como, um canal em que as águas fluíam sem obsctáculos, sem sobressaltos. Eu amava os teus olhos, eles eram tão salientes e felizes, eles sorriam na maior parte do tempo, pelo menos enquanto eu estive contigo. Na semana passada vi-te passear naquele parque perto do shopping, os teus olhos perderam a cor, perderam a saliência, estão cansados e fracos. Não senti sabor com os meus olhos nos teus lábios como antigamente. Estás esgotada, sozinha e fria. Já não sorris, já não aprecias os detalhes, pareces presa. Tu me disseste que ficarias melhor sozinha, pese embora tenhas-me mentido, eu sei que estás com outro homem, sei disso porque os meus amigos comentam e esquecem que eu ouço tudo o que eles dizem. Na verdade, eu ainda te quero, ainda te desejo, quero jogar um pó de fada em ti e fazer-te a mesma mulher que tive, aquela que eu ajudei a criar. Soa meio patético eu sei, e obsessivo.
Mas, é a maneira que eu te amo, é a intensidade com a qual esse amor foi se desenrolando. É a forma como tu fazes as coisas, tão perfeitamente, tão detalhadamente. Hoje, eu sou mais amigo de um copo com Vodka, do que qualquer uma outra coisa que vá aparecer aqui, a menos que tu decidas brilhar de novo.
Hoje, só sobrevivo, só respiro, durmo, e trabalho. Hoje, estou tentando entender o sentido de tudo isso, o sentido de te amar assim tanto.
Hoje, eu só não entendo esse amor.
E Amanhã?

Por Mary Gregório

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